Conflito afeta energia, comércio global e crescimento econômico, alerta diretora do fundo
A guerra no Oriente Médio, com epicentro no Irã, já começa a gerar impactos significativos na economia global e deve aumentar a demanda por apoio financeiro internacional. Segundo a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, os pedidos de ajuda podem crescer entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões nos próximos meses.
De acordo com Georgieva, o conflito provocou um forte choque no setor energético, reduzindo em cerca de 13% o fluxo global de petróleo e em 20% o de gás natural liquefeito (GNL). Esse cenário tem impulsionado a alta dos preços da energia e causado interrupções nas cadeias de abastecimento em diversas regiões do mundo.
A crise também levou o FMI a revisar para baixo suas projeções de crescimento global. Mesmo em um cenário mais otimista, a recuperação econômica deve ser mais lenta, devido aos danos à infraestrutura, perda de confiança dos mercados e dificuldades logísticas.
Um dos pontos críticos é o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de energia, que segue gerando incertezas quanto à circulação de navios e ao comércio internacional. Além disso, o complexo de Ras Laffan, no Catar — responsável por grande parte da produção de GNL do Golfo Pérsico — permanece fechado desde o início do conflito e pode levar anos para retomar sua capacidade total.
Os impactos já começam a se espalhar por diferentes setores. O fechamento de refinarias e a escassez de combustíveis afetam transporte, turismo e comércio, enquanto a interrupção no fornecimento de insumos como hélio, enxofre e nafta pressiona a indústria global, especialmente na produção de chips e plásticos.
Outro efeito preocupante é o aumento da insegurança alimentar. Segundo estimativas do FMI, cerca de 45 milhões de pessoas podem ser adicionadas ao número de pessoas em situação de fome, elevando o total global para mais de 360 milhões.
Apesar de um cessar-fogo temporário anunciado pelos Estados Unidos, liderados por Donald Trump, a continuidade dos ataques de Israel no Líbano ainda ameaça comprometer qualquer avanço rumo à estabilidade.
O FMI deve apresentar na próxima semana diferentes cenários em seu relatório Perspectiva Econômica Mundial, variando entre uma normalização gradual e um quadro prolongado de preços elevados de energia e crescimento mais fraco.
A avaliação do organismo é clara: mesmo no melhor cenário possível, os efeitos da guerra já deixam marcas duradouras na economia global, com reflexos que devem ser sentidos por anos.



