Lula exalta Pantanal na abertura da COP15 em MS e reforça agenda ambiental do Brasil

Em Campo Grande, presidente defendeu cooperação internacional para proteger espécies migratórias e assinou decretos que ampliam áreas de conservação no Pantanal e no Cerrado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste domingo, 22 de março, em Campo Grande, do Segmento de Alto Nível que antecede a abertura oficial da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias. Durante o evento, o petista destacou o papel estratégico de Mato Grosso do Sul no debate ambiental global e afirmou que o Pantanal simboliza, de forma singular, a riqueza natural da América do Sul e a interdependência entre países e ecossistemas.

Em seu discurso, Lula disse que sediar a conferência em Campo Grande foi uma escolha estratégica por estar na porta de entrada do Pantanal, definido por ele como a maior planície alagável tropical do mundo. Ao defender a proteção das espécies migratórias, o presidente afirmou que a convenção transmite uma mensagem simples e poderosa: “migrar é natural”.

Na mesma agenda, Lula assinou decretos que ampliam o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e a Estação Ecológica de Taiamã, ambos no Mato Grosso, além de criar a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, em Minas Gerais. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, as medidas somam mais de 148 mil hectares adicionais sob proteção e reforçam a preservação da biodiversidade, dos recursos hídricos e dos territórios de comunidades tradicionais.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, abriu o segmento político do encontro e afirmou que a COP15 ocorre em um momento decisivo para a biodiversidade global. Em sua fala, ela alertou para ameaças como perda de habitats, mudanças climáticas, poluição, exploração excessiva dos recursos naturais e espécies invasoras, defendendo mais cooperação internacional diante da crise ambiental.

O evento também marcou a adoção da chamada Declaração do Pantanal, documento político lançado no segmento de alto nível e aberto à adesão de outros países até o fim da conferência. O texto reafirma a importância da conectividade ecológica para a sobrevivência das espécies migratórias e manifesta preocupação com as pressões provocadas pela destruição de habitats e pela mudança do clima.

A COP15 acontece de 23 a 29 de março em Campo Grande e reúne governos, cientistas, organismos internacionais e representantes da sociedade civil para discutir medidas de proteção às espécies migratórias, seus habitats e suas rotas em todo o planeta. A abertura oficial da conferência está marcada para esta segunda-feira, com plenárias, reuniões técnicas e debates sobre governança, conservação e cooperação internacional.